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Lixo Nuclear
Na manhã do dia 6 de agosto, apareceu em um jornal a manchete que dizia que uma enorme bomba havia sido lançada sobre a cidade de Hiroshima. Três dias depois outra dessas bombas foi jogada sobre Nagasaki, forçando os japoneses a se render em 14 de agosto. As bombas eram tão potentes que os rapazes do 991o Pelotão nem sequer teriam de ir a Tóquio.
A tremenda força de coesão nuclear, isto é, a energia que faz do núcleo dos átomos a entidade mais compacta de todo o universo, havia sido rompida, liberando uma força inimaginável – a bomba de Hiroshima equivalia a 13 mil toneladas de TNT – e dando início a uma corrida para a construção de bombas cada vez mais poderosas. Sete anos depois foi detonada a primeira bomba de hidrogênio americana, cujo nome em código era "Mike", com uma potência equivalente a 9,4 milhões de toneladas de TNT. Se tivesse sido lançada sobre Nova York, ela teria eliminado a cidade da face da Terra.
Até meados da década de 60, no auge da Guerra Fria, os Estados Unidos haviam armazenado cerca de 32 mil bombas nucleares, responsáveis pelo surgimento de montanhas de lixo radioativo, um subproduto da fabricação de plutônio para esses letais armamentos. Para obter 1 quilo de plutônio, era preciso processar cerca de mil toneladas de minério de urânio. Produzido a partir do urânio bombardeado com nêutrons em um reator nuclear, o plutônio era em seguida separado do urânio em infernais banhos de ácido e solvente cujo destino final não fora decidido.
Agora uma limpeza longamente adiada está sendo realizada nas 114 instalações nucleares americanas, que ocupam uma área de 8,5 mil quilômetros quadrados. Muitas das instalações menores já foram limpas, mas os problemas maiores ainda não foram resolvidos. O que será feito das 47 mil toneladas de combustível, ainda radioativo, usado em reatores nucleares comerciais e militares? Dos 344 milhões de litros de resíduos líquidos resultantes do processamento de plutônio? De mais de meio milhão de toneladas de urânio empobrecido? De milhões de metros cúbicos de equipamentos, pedaços de metal, roupas, óleos, solventes e outros dejetos contaminados? E de cerca de 245 milhões de toneladas da escória do processamento de minério de urânio – metade das quais estabilizada – empesteando o meio ambiente? Para transportar essa escória em vagões ferroviários de carga, e os resíduos líquidos em vagões-tanques, seria preciso um inimaginável trem com 5,3 mil quilômetros de comprimento.
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